Elementos paramétricos estão se tornando cada vez mais parte da linguagem arquitetônica atual, demonstrando possibilidade de marcar as próximas décadas de forma tão impactante quanto o ‘International Style’ na arquitetura do século passado.

A indústria da construção como um todo busca o máximo resultado com o mínimo de recursos, promovendo a racionalização industrial, linhas predominantemente retas e a economia de elementos. A complexidade arquitetônica é considerada inúmeras vezes inviável pela dificuldade do raciocínio espacial na concepção e sua posterior transição para a construção. Como processo estático, resultantes de linhas de comando imutáveis, sistemas complicados dificultam eventuais alterações em seu desenvolvimento e podem gerar riscos aos custos e ao cronograma de um empreendimento.

Como resultado a pratica da arquitetura é como um todo reflexo direto desse modus operandi que busca a simplificação. Apesar de possuirmos ao nosso dispor o bom e velho croqui, o desenvolvimento do projeto final é geralmente elaborado em plataformas vetoriais como o Autocad, passando pelos benefícios das plataformas 3D e de forma mais comum hoje por BIM. Essas plataformas geram benefícios imensuráveis aos nossos projetos, pois sistematiza e comunica de forma universal o projeto para todos os envolvidos, mas em contrapartida perde-se parte do âmbito criativo, afinal o arquiteto torna-se querendo ou não refém das limitações de cada plataforma. Existe sempre uma grande distância do lampejo criativo do que pode ser executado de fato, e a parametrização vem nos auxiliar para um passo além na concepção e desenvolvimento de nossos projetos, alinhando-o ainda a uma linguagem cada vez mais aceita no mercado. O abstrato e o preciso se tornam mais próximos.

Parametrização é uma aproximação matemática para a arquitetura, elaborada por meio de algoritmos. Junte ele e sua intenção arquitetônica e cria-se uma “fórmula” para seu projeto ou elemento arquitetônico. Com o conceito pronto seus parâmetros podem ser modificados com facilidade, transformando o projeto em um “organismo vivo” resistente as diversas mudanças que o projeto sofre em seu desenvolvimento. Se, por exemplo, possuímos um código de lajes curvas e complexas que resultam em vigas de 60cm mas o projeto estrutural foi modificado para 65cm, o parâmetro pode ser ajustado com um único comando, modificando automaticamente todas as partes relacionadas.

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Mai Home, que utiliza parametrização no conceito de suas abas.

“A parametrização não é um contraponto para a racionalização da industria. É na verdade uma evolução desse pensamento, que leva para um novo patamar a aproximação com o ser humano”
O conceito da parametrização se torna possível hoje por consequência da convergência tecnológica, cujos fatores principais são o desenvolvimento da tecnologia de processadores que permitem tais cálculos, a evolução dos sistemas de corte CNC e a computação em nuvem. A viabilidade do sistema demonstra-se com a transferência segura dessas informações para a aplicação na indústria e a posterior construção, possibilitando a programação para uma separação em partes ou mesmo a impressão em 3D.

A parametrização não é um contraponto para a racionalização da industria. É na verdade uma evolução desse pensamento, que leva para um novo patamar a aproximação com o ser humano e suas exigências, atendendo de forma mais profunda questões como o conforto térmico, ambientes personalizados e a sustentabilidade. Aceita de forma intrínseca o tratamento de fatores geralmente ignorados em projetos usuais, possibilitando embutir em seu código elementos reativos a simulação energética, ensaios de iluminação, melhores visuais, análise estrutural e a racionalidade construtiva quase que em tempo real. Um brise-soleil pode ser calculado levando em consideração todo o ambiente ao redor e selecionados individualmente conforme seleção natural por meio de milhares de cálculos até o encontro da melhor solução.

Algoritmos devem estar longe de ser tratados como mero formalismo. Ajudarão arquitetos a levar seu design para mais longe, sistematizando de forma única e otimizada um processo predominantemente industrial. Como resultado teremos soluções mais adequadas, exaltando nossas questões individuais em um mundo onde as diferenças estão sendo cada vez mais aceitas. É mais um passo na transição da era da Produção em Massa para a Customização em Massa.

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Written by Filipe Boni